MEUS INCENTIVADORES- GOSTARAM E FICARAM!!

terça-feira, dezembro 29, 2015

Trilho Frio


Qual é a função tua na minha vida?
Qual a minha na tua?
Verdade crua que nua
Não me aquece

Saber que para tudo existe a prece
Que me entontece quando
Emudecida a boca não crê
O que o olho não vê

E de brutalidades encharco o peito
E esbarro em mim, tropeço em fendas
Das feridas abertas que pedem urgências
Nos desatinos, nas evidências

E cega e surda a boca cala
Mente oque a mente diz e não fala
Como a seguir entre as ruínas
Que o coração prega, prende e embala

Trilho frio que me percorre há séculos
Na busca insana de qualquer sentido
Na vida, na morte
No canto, na sorte

Qual a função tua na minha
Qual a minha na tua
VIDA?

Elzinha Coelho




segunda-feira, dezembro 21, 2015

Intuição



O que se pode dizer ao coração, que depois de tantos nãos se descobre que estava certo? Ali bem perto dos ouvidos, da boca e das mãos e o coração estava certo e nós surdos aos seus nãos! Mãos que tem poder de afastar, boca que sabe calar e ouvidos....ah! os ouvidos, os da alma que sem calma não os deixamos escutar. Quantas vezes ainda nos afastaremos de toda nossa verdade? Que mania é essa de nos achar com poderes de mudar alguma coisa fora de nós? Ainda procuro o que me afasta de mim. Ainda insisto num misto de febre e de dor, sem medo ou pudor, o que me afasta de mim. E o tal coração avisa. Ah! avisa. Incansavelmente... pulsando... pulsando...e pulsando! 

Elzinha Coelho

E assim é...




Você sempre vai estar onde  se colocar!!!!
Não se importe com opiniões alheias, não se incomode com falsidades, desconsiderações, maldades, nada disso é problema seu. Vá em frente, siga a sua verdade, faça a sua parte nessa "engenhoca" que é a VIDA. Faça bem feito. Faça direito. O que é do bem, atrai o bem. Pro resto.............paciência e amém!

Elzinha Coelho

domingo, dezembro 20, 2015

Viver com uma pessoa vazia também conta como solidão


Há vários tipos de solidão. O mais apreciado é aquele que permite o encontro com nós mesmos e o autoconhecimento.Entretanto, existe uma outra solidão que é muito destrutiva e perigosa. É aquela que sentimos quando compartilhamos nosso tempo e nossa vida com pessoas que são muito importantes para nós, e que estão completamente vazias.
Dizem que o mundo está cheio de pessoas de corpo vazio e almas ocas, que se alimentam dos sentimentos dos outros para se sentirem úteis e importantes.São importantes porque as escolhemos livremente, projetamos nelas nossas emoções e sentimentos, até que percebemos que nos causam dor e sofrimento.
Compreender esse processo através do qual nos apaixonamos por uma pessoa vazia é muito complexo. Muitas vezes, dentro do nosso convívio social, temos amigos e até familiares com essa característica.
O que podemos fazer diante dessa falta de emoções, de empatia e reciprocidade? Qual a melhor forma de agir?

A solidão emocional da pessoa vazia
Viver com uma pessoa vazia também conta como solidão
Alexandre Dumas dizia que seu pai costumava se queixar das pessoas vazias. Ele as definia como cântaros: “quanto mais vazios, mais barulho fazem”.
Com esta frase simbólica, percebemos que essas pessoas não passam despercebidas por nossas vidas e não nos deixam indiferentes.
Mas, por que as definimos assim, com esses vazios? O que há por trás desse tipo de comportamento?

1. Falta de reciprocidade emocional
Não vamos discutir aqui a existência da alma, que é a primeira coisa em que pensamos quando falamos desse vazio emocional.
Entendemos esse vazio como a “falta” de uma série de emoções básicas.
– Eles são incapazes de se projetar sobre os outros para compreender, ter empatia e entender as perspectivas pessoais dos que estão ao seu redor.
– Seu comportamento se baseia em um conjunto de regras inconscientes, nas quais a prioridade são eles mesmos. O essencial é suprir suas próprias necessidades.
– Dizemos que são regras inconscientes porque agem automaticamente, sem avaliar os resultados. Nesse tipo de personalidade não existe espaço para os erros. Errar é uma fraqueza que não podem aceitar.
– As pessoas vazias não ouvem e não desabafam com os outros. Se o fazem em algum momento, é para o seu próprio benefício.
2. A necessidade de apegar-se a alguém mais forte emocionalmente
As pessoas vazias são caracterizadas por algo muito básico: a ausência de felicidade.
Em seu mundo, buscam manipular as pessoas para preencher o seu vazio interior e suprir suas carências com as emoções alheias.
Nunca haverá em suas vidas generosidade, altruísmo ou alegria de viver, porque são desequilibradas. Elas oscilam entre os extremos: tudo ou nada, um amor imenso ou indiferença absoluta.
Essas pessoas têm uma personalidade incompleta e estabelecem relações imaturas. Não tente ser a pessoa que vai preencher esse vazio e carência; o preço pode ser alto demais.

Como enfrentar a vida com pessoas vazias?É possível que o primeiro pensamento seja o de “manter distância”, mas estamos falando de emoções, e geralmente de relacionamentos que estabelecemos com as pessoas que amamos.
Temos que refletir, avaliar e decidir se vale a pena continuar com esse relacionamento ou não.
No entanto, podemos dizer que todos nós somos um pouco complicados. Alguns aparam suas arestas, outros procuram preencher seus vazios.
Às vezes, um certo tipo de personalidade se encaixa perfeitamente com outra, mas não podemos esquecer que “as pessoas não mudam da noite para o dia, por mais que desejemos que isto aconteça”.
Com a convivência diária, com nosso equilíbrio emocional e integridade, podemos avaliar os nossos relacionamentos e perceber o que eles nos trazem de bom ou ruim.

Abaixo, alguns recursos que podemos utilizar no nosso dia a dia.
– Diante dos familiares: se você tem um pai, uma mãe ou irmãos, que agem de maneira fria e vazia, diminua a influência e a importância que eles exercem sobre você e sua vida. Não cometa o erro de agir como eles. Mostre-se sempre como realmente é, o que sente e o que deseja da vida.http://www.raizesjornalismocultural.com/
– Diante de um relacionamento amoroso: se o seu parceiro é uma pessoa vazia, explique como se sente e o que é capaz de aceitar ou não. Você não é uma pessoa vazia, tem emoções que precisam ser correspondidas, necessidades afetivas e deseja reciprocidade. Se esse relacionamento não lhe traz nada disso, pense bem antes de decidir qual será o seu próximo passo.
Não há solidão pior do que aquela que sentimos quando nos dão um afeto sem forma. Um mundo de vazios.
Texto original em espanhol de Valéria Sabater.
Publicação original: A mente é maravilhosa

quarta-feira, dezembro 16, 2015

A questão é...


As vezes é tudo uma questão de não fazer mais questão. Li esta frase em algum lugar e pensei; não fazer questão é dar pouca importância ou nenhuma, é virar as costas, é deixar prá lá. Já que no entender acadêmico de qualquer ser humano (eu disse no entender acadêmico, na prática há controvérsias), relacionamento é se importar, é fazer questão, se preocupar e outras coisinhas mais... e se isso não acontece queridinhos, caiam fora!! Se ele (ela) acha que não te dar muita importância é uma maneira de te conquistar, é um(a) babaca! Se está com você fingindo sentir o que não sente, é um(a) babaca! De qualquer forma, a questão é que de babacas  o mundo está cheio! 


Elzinha Coelho


terça-feira, dezembro 15, 2015

Ano Novo???? (Revendo)




Vem aí um novo ano e aí você pensa, agora vai ser diferente. Tem gente que passa uma vida todinha acreditando que a simples mudança de calendário tem o poder de mudar a trajetória, os ares, até o pesares. Talvez doce, mas certamente uma triste ilusão. Um dia disse nosso encantador Mario Quintana, "Bendito quem inventou o belo truque do calendário(...) dando a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..." , mas é só impressão. O recomeço pode se dar a qualquer hora, em qualquer lugar, mesmo não sentindo as bolhinhas geladas na ponta do nariz. O recomeço acontece de dentro para fora, do fundo, bem do fundo. Acontece lá onde é preciso coragem para ir. Lá onde acumulamos tralhas mal resolvidas; onde a desordem é gritante e se não fosse o bastante, ainda guardada está toda a parafernália apreendida no calabouço da vida, todas as promessas não cumpridas, todas as desditas, todas as feridas, todas as palavras (mal) ditas, faladas e ouvidas, todo o medo e toda culpa, as desculpas que não demos, as que não recebemos, todo o mau amor, todo o mal amar, todo o querer, todo o pesar. No fundo, bem no fundo deste mundo que nos habita, que nos corrompe, que nos conflita é que inicia o recomeço, o incessante  recomeçar. É lá que é preciso coragem de transformar e rever o que já estava escrito ou por escrever. Que o recomeço seja limpar, seja esquecer, aceitar, compreender, perdoar, perdoar-se. Que o recomeço seja amor, libertação, seja bondade, suavidade, doação!
Um feliz recomeço a todos nós, simples mortais, tão envolvidos com nossos ais, tão ferrenhos, tão fatais!!

Elzinha Coelho

segunda-feira, novembro 23, 2015

SUTILEZAS




Certeza tenho apenas das incertezas que a vida tem. O certo ou errado, o inteiro ou costurado, o perdido ou encontrado é questão de opinião, ponto de vista ou ilusão. Não sei bem onde me encaixo... se no "sim" ou se no "acho"...




Elzinha Coelho

segunda-feira, novembro 16, 2015

A Vida e o Caminho



Há luz no caminho
Mas há quem prefira a escuridão
Há aconchego no ninho
E quem o abandona buscando a ilusão

Pobres e nefastas vítimas de si

Não anteveem o desastre eminente
Que sem disfarce se torna evidente
O que por hora parece distante
Num próximo instante o aproxima do fim

E o sim tantas vezes negado
À vida que doou tantos lances
É agora pedido, implorado
Por quem não temeu ver perdida
As tantas chances que a vida lhe deu

Cegos em si, eis o que são
Maltrapilhos, maltratados
Andarilhos, renegados
Que a Vida então deserda
E lhes nega todo o cuidado!

Elzinha Coelho

segunda-feira, outubro 19, 2015

Poesia é poesia


Palavras soltas vejo em versos de prosopopeias psicodélicas, onde a palavra melhor escolhe o métrico método de ser mostrada. Amontoadas, as sílabas mansas travestidas  de inócuos brilhos retratam no melhor estilo, a bagagem de quem lhe dá os trilhos. Ah falsos poetas! Oque não arranha tuas entranhas não é poesia. Não é poesia o que não amarga a tua saliva ou adoça a tua lágrima. O que não te sai de dentro em volúpias e arrepios, o que não te tira o sono e o sossego, o que não expõe os teus medos, tuas verdades, teus encantos, vindos dos confins de ti. Não é poesia o que não te vem de dentro em convulsivas ondas desavisadas, estampidos, estampadas. Fazes um mecânico gesto... que de poesia não tem nada!


Elzinha Coelho

quinta-feira, outubro 01, 2015

Aforismos de uma Insana Sensatez


Não era dada a recordações. Passava com a sutileza de um trator por cima do que, de alguma forma, lhe provocasse algum desconforto. Ela era uma caixa cheia de gavetas. Algumas trancadas sem nunca terem recebido uma visita sequer. Gavetas empilhadas, cheias de memórias e histórias que não podiam ser tocadas. Talvez por algum breve instante pressentisse a presença delas. Mas isso era tudo o que conseguia a respeito. Pressentir vez ou outra a existência delas. E caminhava a passos largos, espinha ereta e aos olhos alheios, quase que intocável pelas mazelas que a vida sempre fez questão de lhe presentear. Tudo a sua volta ruía e ainda assim, a espinha não se dobrava. Sabia sorrir como ninguém. E nos sorrisos deixava transparecer um insólito desejo. Uma vontade louca e inquietante de ir além do óbvio, do suposto, do já estabelecido. E até por isso, quem sabe, as tais gavetas permaneciam fechadas. Memórias são obvias demais, emperram os passos, apertam os laços. E se algo havia o qual lhe parecia insuportável, era a falta de movimento. Laços prendem e ela nunca se renderia à eles. Tinha um senso de percepção bastante aguçado e podia com certa facilidade saber de antemão o que permaneceria e o que iria parar nas tais gavetas, para de lá nunca saírem. Na vida, pensava ela, cada ser encerra em si o que é capaz e incapaz de suportar. "A insustentável leveza do ser" nada mais era do que apenas insustentável e nada havia de leve. Passava os dias metamorfoseando  oque quer que lhe aprouvesse, tão docemente, que felicidade não lhe era um sentimento incomum. As tais gavetas? Permaneceriam da forma como sempre foram.

Elzinha Coelho

Nota: A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera)  Sobre este romance, Italo Calvino escreveu: "O peso da vida, para Kundera, está em toda forma de opressão. O romance nos mostra como, na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela leveza acaba bem cedo se revelando de um peso insustentável. Apenas, talvez, a vivacidade e a mobilidade da inteligência escapam à condenação -- as qualidades de que se compõe o romance e que pertencem a um universo que não é mais aquele do viver"

sábado, setembro 26, 2015

Indo


Já lá está o caminho a percorrer. Sinto-o antes mesmo que eu o toque. E sempre foi assim. O caminho dentro de mim. Eu e o caminho. Caminho que me caminha, me percorre, me permite, me escorre. Caminho que me encaminha, me liberta, me socorre. Que me leva leve, lento. Por entre as nuvens em meio aos ventos. Caminho santo. Caminho bento. Que o é antes mesmo de ter sido. Como a finitude efêmera dos confins do mundo. Caminho fundo, belo, fecundo. E eu caminho...

Elzinha Coelho

sexta-feira, setembro 04, 2015

Não existe botox para o vazio existencial

Não somos nada nem ninguém sem consumir. Você já parou para pensar nisso? Vivemos numa sociedade de consumo, disso todos nós sabemos. Acontece que a nossa ânsia por obtenção palpável se estendeu até os desejos mais íntimos. Não adquirimos por ímpeto apenas roupas, sapatos, objetos. Nós consumimos sentimento, gente, sexo, prazeres, tempo. Tudo. Parece que sem consumo não existe vida. Nem bem-estar. Nem alegria. Nem amor. Nem nada.
As pessoas estão cada vez mais insatisfeitas com elas mesmas e com o mundo. Querem preencher a qualquer custo os seus buracos. Consomem tudo e todos ao mesmo tempo, na ânsia desesperada de abarrotar os espaços vazios que levam por dentro.
Começam se enchendo de coisas, mas logo o tangível passa a não bastar. Então, encontram nos outros a possibilidade da sensação de plenitude, de prazer e satisfação. É uma perseguição efêmera atrás da saciedade.
Aí vem a primordialidade de ter e sentir, a carestia da posse, que comanda os sentidos e determina as ações. Objetos já não suprem a ausência física de uma companhia, o desamor que maltratou o coração, o desejo carnal irrefreável. É preciso sentir que alguém lhe pertence, nem que seja por algumas horas, até atingir um nível de contentamento. A ideia da posse acalma.
O problema é que depois que o refém é liberado, um rombo maior se abre por dentro, e você vai precisar preenchê-lo outra vez. E mais outra. E assim, sucessivamente. Até que uma sombra equilibre a sua e, juntos, consigam fechar todos os rasgos.Enquanto isso não acontece a busca pelo prazer e pela companhia entra em um círculo vicioso. É preciso se sentir querida, desejada, amada, reverenciada. Se consome amizade, se consome sexo, se consome o tempo dos outros, a atenção. Aliás, o tempo é uma coisa curiosa.
Tem gente que só se sente vivo, de fato, se estiver abusando de todo e qualquer sopro de segundo. Perder tempo ou sentir que não está fazendo nada com ele é infelicidade na certa, é causa mortis. Abusam do tempo, o tempo todo, a fim de afirmar-se vivo.
A busca por sexo também é uma forma de consumo, porque se associa o prazer ao amor, confunde-se a proximidade com a companhia, a carência com a presença. Depois a solidão chega e toma o seu lugar. É quando o consumista, novamente, persegue quem possa lhe preencher, para suprir o vazio e a necessidade de afirmação.
E assim, o consumo se expande junto das vontades cada vez mais ansiosas e caprichosas. O eu grita mais e mais alto, faz as suas birras, é exigente. Você cede. Até porque a sensação é de que uma vida sem consumo é chata, vazia e sem nenhum propósito. O pensamento é que só é possível ser feliz quando se adquire, seja lá o que for.
As pessoas gastam dinheiro, gastam tempo, investem os seus planos e sonhos, se desgastam em expectativas e frustrações. Tudo em busca de um sentimento de verdade. Não precisa ser imenso, não, mas que seja inteiro.
A verdade é que enquanto faltar amor aqui dentro nós continuaremos procurando lá fora por alguém que nos baste. Miraremos alvos incertos, consumiremos o mundo freneticamente, expostos ao tiroteio dos corações caçadores.
A esperança é que, no meio da artilharia, em lados opostos, nos reconheceremos dentre tantos atiradores; nós e o nosso amor próprio. Só quando nos encontrarmos deixaremos de ser ávidos consumidores de gente.
Por Karen Curi – Jornalista

terça-feira, agosto 25, 2015

Talvez


Talvez se me entendessem, vivenciariam bem melhor os momentos comigo e melhor ainda, as ausências de mim. Se me entendessem, se soubessem da minha carga e de meus apelos, dos meus fins, dos meus medos, me aceitariam assim, descalça, sem medida. Talvez se soubessem o quanto uma mão me fez falta, acreditariam nas minhas  estendidas. Se soubessem do frio que minha alma já sentiu, saberiam o que procuro num abraço. Talvez e só talvez, porque nada é certo, aceitariam o que sou, acreditariam nisso. Quem sabe, o que digo não faça sentido algum fora desse meu universo, e é nos versos que componho que encontro o abrigo que tanto quero. Tudo é muito simples, mas o simples as vezes assusta. Talvez e sempre o talvez, eu perca aos poucos a claridade, e pareça um pouco mais nublada, assim, talvez não precise tanto das mãos, dos braços, dos abraços... só dos versos e mais nada!


Elzinha Coelho

Encanto

O que encanta é esta febre ainda acesa
Este calor que ainda inunda
É a fome e a sede que covarde
Invade, prende, gruda

Encanta o canto e os canteiros
Que enfeitam as horas e as demoras
De esperas que se findam lentamente
Nos sorrisos que me rendem a toda hora

Me perder no espaço dos teus passos
Me encontrar no abraço sem cansaço
Onde nada me pode  impedir
De anoitecer em paz nos teus braços

Descalça, desnuda, inteira
Vertendo-te a luz que me habita
Nas noites translucidas e solenes
Em que me tornas mais bonita

Elzinha Coelho



quinta-feira, agosto 13, 2015

Recado


Recebi o seu recado!

Que veio de longe
Do alto das torres
Do meio dos ventos
Do fundo das águas...

Para que eu tenha cuidado
Que eu tenha cautela
Que eu tenha esperança
Para que eu faça da vida
Um doce passo de dança
Uma longa ponte que alcança
O outro lado do "ser"

Recebi o seu recado!
Para que eu veja apenas ..... AMOR


E o que não for...que eu deixe de lado.

Elzinha Coelho

quarta-feira, agosto 12, 2015

Engano


Cuidado nas urgências do coração!!!

Nessa ânsia de se ter um amor
E receber na mesma fração
Qualquer Ser é belo
Qualquer Belo é bom...

Elzinha Coelho

terça-feira, julho 21, 2015

Regulamento (Aos praticantes do sonho)

Regulamento
Artigo 1.º
Não estacione o coração em becos sem saída (demore o tempo estritamente necessário para largar despedidas ou carregar abraços)
Artigo 2.º
Se beber, com o intuito de se lavar por dentro, não conduza (é quase impossível dar banho ao pensamento sem molhar a lucidez)
Artigo 3.º
Antes de atravessar a realidade, pare, escute e olhe, certifique-se de que não existem ilusões em contra-mão (descalce os caminhos que já não lhe servem – caminhos são sapatos que a terra nos oferece para descalçar irrealidades)
Artigo 4.º
Não abra a boca a beijos desconhecidos (especialmente aos conhecidos que se fazem desconhecer)
Artigo 5.º
Evite adormecer em sonos usados (cansam mais do que subir o infinito a pé)
Artigo 6.º
Seja mais sonhamor e menos sonhador (a dor não faz falta. Cria ausências)
Artigo 7.º
Nunca faça amor em locais proibidos, salvo em legítima defesa da saudade.
Heduardo Kiesse é um poeta angolano residente em Portugal dotado de inegável talento e de grande criatividade. É idealizador e administrador da página ParadoXos

segunda-feira, julho 20, 2015

A Alegria na Tristeza



O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

Martha Medeiros

quarta-feira, julho 08, 2015

Poetizando


As lágrimas que choro
Não imploram a tua pena
Nem buscam certamente
O que difere do dilema

As lágrimas que choro
São versos de um poema
Qual brisa leve que inspira
São serenas, são amenas

As lágrimas que choro
Tão internas, tão inteiras
São doces alusões
À minha estrada verdadeira

Choro por não ser
Por ter tido e não mais ter
Choro porque choro
Por um motivo ou por querer

Ato insano esta ilusão
De transpor os verbos para as mãos
Criar delicadezas
Por pura compulsão



Elzinha Coelho



terça-feira, junho 23, 2015

Então queres ser um escritor?


se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
— devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra alternativa,
e nunca houve.

CHARLES BUKOWSKI


quinta-feira, junho 18, 2015

Sossega coração! Não desesperes!


Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, silente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa - 2-8-1933

terça-feira, junho 16, 2015

Lembranças


O que fica no depois
É tudo o que não foi
O resto foi consumido
Até a última gota

O que fica no depois
É o que já não há
E oque poderia ter sido
Sem salvação, também se teria findo

Esse depois que amacia a carne já dura
Que o tempo molda e embeleza a textura
É o sereno suave que cai
Na pele crua, gelada, nua!


Elzinha Coelho

sexta-feira, junho 05, 2015

Poetar


Que coisa louca, o de repente vir da mente e sair na boca
Tão de repente que aparentemente é coisa pouca... que coisa louca!
Ver no papel, transcrito o céu que tem por dentro
Ou o inferno que sem descanso te faz rebento... 

Ter o instante, antes distante, na ponta dos dedos
Dando formas, tecendo corpos de pensamentos
Sentir que nada, consegue ser nada um só momento
Te rasga a roupa, te abre o peito, te faz escravo

Tão de repente... que num instante, o distante já virou ato!
Que coisa louca...


Elzinha Coelho


sábado, maio 23, 2015

AS QUATRO ESTAÇÕES - ANTOLOGIA DE POEMAS

LANÇAMENTO Sábado, 30 de maio à partir das 10:00 h
PARTICIPO E ESTAREI LÁ!!! ESTÃO TODOS CONVIDADOS!!!
FAPCOM - Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação em São Paulo

ORGANIZADOR: Edson Rossatto
SINOPSE: Há aqueles que sentem solidão no inverno, enquanto outros aproveitam a companhia e um bom conhaque. Também existem os que se deixam cortar para renascerem com as flores da primavera. Não são poucos os que esperam o ano todo pela alegria do verão. E o outono, junto com os frutos e Folhas secas, traz ainda momentos de reflexão. As quatro estações provocam sentimentos, suscitam palavras, afloram desejos... Os poemas deste livro são frutos de reflexões de poetas, que não apenas grafaram alegrias da vida, mas também a tristeza da solidão que só quem ama sozinho é capaz de sentir.
Edson Rossato
LANÇAMENTO: 30 de maio de 2015, na 5ª edição do evento LIVROS EM PAUTA PELA ANDROSS EDITORA (www.livrosempauta.com.br)

segunda-feira, maio 18, 2015

Atitudes


Amar em atitudes, sabes a preciosidade disso?
Se desculpar é amor
Estar disponível é amor
Cuidar, entender, aceitar... é amor

É uma questão de relacionamento, não de mensagem

Palavras? O que são elas diante dos atos?
Amor é estar em sintonia com o que sentes e o que fazes
Desamor também, mas quando falas em amor e o que fazes é desamor, então é hipocrisia o que fazes!

Elzinha Coelho

sábado, maio 16, 2015

EXPIAÇÃO


Nunca me respondeste, quando te chamei,
E só Deus sabe como era urgente e aflita
A minha voz!
Mas, desgraçadamente sós,
Morrem os que se afogam
No mar da sua própria condição.
O meu, sem margens, é um descampado
Desabrigado.
Vagas e vagas de solidão,
E a tua imagem, litoral sonhado,
Sempre evocada em vão.
Nunca me respondeste, e foi melhor assim.
Um náufrago perpétuo é um pesadelo.
Dizer-me o quê?
Que, de longe, me vias afogar,
Mas que nada podias.
Pois sabias
Que os poetas jurados,
Humanas heresias,
Nascem condenados
A morrer afogados
Todos os dias
No tormentoso mar dos seus pecados."

De Miguel Torga:

sexta-feira, maio 15, 2015

A vida é leve





É bem assim que quero estar, meio cá, meio acolá... meio sei lá!


Elzinha Coelho

terça-feira, maio 05, 2015

Ela


Eu bem que avisei, mas parece que coração e mente não se comunicam naquele ser! Basta antever a pretensa possibilidade se uma gotinha de felicidade e pronto, lá vai ela levando só o tal coração e a mente depois do estrago que dê seus pulos e conserte o que inerte não conseguiu evitar.   E assim ela segue... sempre com o coração nas mãos, antevendo a pretensa possibilidade. 

Elzinha Coelho