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Aforismos de uma Insana Sensatez

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Não era dada a recordações. Passava com a sutileza de um trator por cima do que, de alguma forma, lhe provocasse algum desconforto. Ela era uma caixa cheia de gavetas. Algumas trancadas sem nunca terem recebido uma visita sequer. Gavetas empilhadas, cheias de memórias e histórias que não podiam ser tocadas. Talvez por algum breve instante pressentisse a presença delas. Mas isso era tudo o que conseguia a respeito. Pressentir vez ou outra a existência delas. E caminhava a passos largos, espinha ereta e aos olhos alheios, quase que intocável pelas mazelas que a vida sempre fez questão de lhe presentear. Tudo a sua volta ruía e ainda assim, a espinha não se dobrava. Sabia sorrir como ninguém. E nos sorrisos deixava transparecer um insólito desejo. Uma vontade louca e inquietante de ir além do óbvio, do suposto, do já estabelecido. E até por isso, quem sabe, as tais gavetas permaneciam fechadas. Memórias são obvias demais, emperram os passos, apertam os laços. E se algo havia o qual lhe p…

Fazer poesia...

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Fazer poesia não é pensar a palavra, o tema, a rima
Se for desgastante, nem tente
Fazer poesia é coisa da alma
E a alma não pensa
Ela sente

Elzinha Coelho


Em dias de ironia... O irônico e contraditório "Envelhecer"

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Não vejo que envelhecer seja um bom negócio. A gente perde, a gente ganha, tudo bem, ganha-se mais sabedoria e daí? nem dá pra consertar muita coisa. E perde muito, perde-se o colágeno, os pelos, os cabelos; perde-se os entes, os dentes. Perde-se os parentes, se bem que alguns desses nem se sente; os músculos, a visão. E vai se perdendo aqui e ali memórias, histórias, a audição, a vontade de dizer sim ou não. Perde-se o tato, o contato, os sapatos, perde-se a ebulição. Se ganha também, uma incontinência, dores nas juntas, na lombar e na consciência. Ganha-se demência, perde-se a prudência, a sensatez, a malemolência. Em ve lhe cer = E vem lhe ser mais penoso o descompasso dos passos, do levantar dos braços, raros os abraços. Não vejo que envelhecer seja um bom negócio...vejo não...
Elzinha Coelho
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Quem???

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Há simplicidade no ar, cheiros de novidades, sussurros de intenções, busca da claridade. Há música nos corações, afeto nas pretensões. Há carinho no olhar, sorriso no despertar. A alma se agiganta impregnada de esperanças... saturada de desejos. Há abraços esperados, sorrisos despojados... Vontade aberta, escancarada, sincera de ser melhor, de crescer, amadurecer. Realmente há brilhos no ar, no olhar, no ato, no pensar. Há luzes por todo canto, por fora e por dentro... da alma ao firmamento. Uma corrente de encanto que revigora, que fortalece e o que foi bom a gente guarda, o que não foi, a gente esquece . RECOMEÇAR... REAMAR... REENTENDER... REASCENDER... REINVENTAR... novos caminhos, outras verdades... outros carinhos, novas saudades... na grande roda que é a vida... NA GRANDE VIDA QUE É A NOSSA! Elzinha Coelho 

O fim (Efemeridades)

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O relógio na parede a lembar que passa o tempo e o prego, num arrebatamento de espanto e lamento, um dia cansa de segurar o tempo tanto tempo, por fim, acabam no esquecimento, o tempo, o prego, o movimento...
Elzinha Coelho

A espera...

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Um belo dia você vai chegar
E me fazer esquecer a espera
E os teus braços irão me enlaçar
E me mostrar que o céu é na terra

A minha boca irá mapear
Sem pressa, medo ou cansaço
Tua alma linda que reconheci
Naquele olhar que me lançou pro espaço

E o reencontro se repetirá
Em noites e noites de pleno abandono
Esquecer pequenices que permeiam o mundo
Para vivermos aqui o nosso sonho

Não se demore, porém, meu querido
O tempo é duro, implacável, cruel
Façamos da nossa distância, pretexto
Para chegarmos juntos no céu

Elzinha Coelho