MEUS INCENTIVADORES- GOSTARAM E FICARAM!!

domingo, março 05, 2017

Mar de Mim


Alma livre de poeta
Que em si sempre encerra
Os desejos em pé de guerra
nos vendavais que habitam em mim

Alma livre de quem sonha

Nas noites e noites de amarguras
Fitando a luz leve da lua
Retendo-a docemente na retina

Hora chora, Hora ri

E nesta dança do ir e vir
Em emoções caudalosas
Sinto os pés por sobre as ondas
Que as espumas feito brumas
Levitam levando-me dali

Doce e terna aparência

Calmaria que disfarça
em mim toda a luta
em ebulição na própria farsa

Do que sei, nada quero

Do que quero, jamais saberei
Sou no mundo um mistério
E o mistério em mim é Rei


Elzinha Coelho


sábado, janeiro 28, 2017

Solicitude


A solidão com a qual me visto, tão leve, plena, me faz serena. Acalma a alma e qual chuva branda, me refrigera a mente. E tudo o que se sente expande em cores, solta as correntes, afrouxa as dores. A solidão tão solícita e presente, me deixa ausente das pressas e das promessas, e feito amigo inocente, que me ama simplesmente, me acompanha nestas horas, tão raras, tão efêmeras, na busca da essência enfim... do brilho com que me pintam, da luz que habita em mim.


Elzinha Coelho

quinta-feira, janeiro 26, 2017

SUBENTENDIDO


Sigo pelas asas do poema
Que me embala, doce e livremente
Por tantos cantos, belos becos, lindos temas
Pelas trilhas maltrapilhas ou reluzentes

Versando as horas, o tempo, os dilemas
De quem sem culpa, se atreve discernir 
Oque de dentro te transborda pelos poros
E inutilmente, se tenta impedir

Qual tal demônio é este poeta
Que com seu ferro certeiro sempre afeta
Trazendo à lembrança, o guardado e o esquecido
A tal  ferida, mal curada ainda aberta

O que seria do que é se não fosse o que se fez?
Em qual momento da partida caberia o não?
Quanto se perde quando a medida não te cabe?
Por qual razão há tantas portas?
E o que fazer quando nada disso importa?

Se há no mundo algo de poder capaz
De despertar em ti  o avesso do espelho
São os versos duros de um poema
Que nas entrelinhas, sempre esconde um conselho!


Elzinha Coelho



segunda-feira, janeiro 23, 2017

Na Contramão


O banal institucionalizado, e na contramão, a escolha de quem não quer ser escolhida, de quem não segue os seguidos nem os seguintes. Levar a vida e não me deixar levar por ela; o lema de quem não dança como toca a banda.  Nas paredes as aquarelas mostram os conceitos estúpidos, mas aceitos como normais pelos gerais e a anormal geme conceitos inaudíveis, intraduzíveis, ininteligíveis, não se fala a minha língua. Sou estrangeira no meu próprio mundo, sou o absurdo. Sou a fé no que não há? E se há, aonde está? Aonde foi parar aquela gente "fina, elegante e sincera", que sente e de repente não tem medo de arriscar? Em que paragens foi morar a crença de criança que já as habitou? Sonhadora eis o que és, dizem-me alguns, afinal, escreves poemas, suas lentes vêem diferente? Sou a exceção, o indefinível e inexplicável modo de ver a vida e toda a sua complexidade; sina de poeta? Trago na minha bagagem apenas um Eu liberto. Livre do que é imposto e aposto ser mais leve o meu compasso, de não andar caminhos já trilhados, marcados por outros passos. Como nestas paredes de aquarelas tudo precede a um preço,  pago e sigo na contramão a minha própria trilha, que me brilha, me brilha, brilha...

Elzinha Coelho

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Apelo



Nada está perdido
Nada foi em vão
Não se perca na história
A ilusão é efemera

Deixe-me não ir ainda
O propósito que não se finda ainda perdura
Mesmo que não mais creia
Mesmo que não mais queira

Ainda há chance para acreditar
Ainda é tempo de agregar
os sentidos todos que se espalharam
Por tanta demanda à espreitar

Basta um gesto doce
O de lembrar o gosto que trouxe
A minha boca na tua pele
A tua pele no meu peito

Deixe-me não ir ainda
A porta está aberta na sala
Teus olhos me imploram
Mas tua boca se cala

Perder-te de mim não é o que quer
Ainda sente o ardente toque no rosto
Que com gosto toquei sem hesitar
Deixe-me não ir ainda

Feche a porta
Deixe-me ficar!

Elzinha Coelho






AMOR


O amor nasce nos corações dispostos, nas almas elevadas, despojadas e disponíveis. Cada um a seu tempo, cada qual no seu próprio passo, chegará como esta planta chegou, à luz. Descobrirá que amor não machuca, não desfaz, não esquece. Amor é grato, é por si só o todo, o tudo, o início e o fim. Amor é calmaria, aconchego, segurança, sintonia. Amor é certeza inviolável. Mansos os que amam.  Mas em nome do amor já vieram guerras santas; há guerras santas cotidianas por todo canto, a todo tempo. Codimistas insanos, profanos. Insensatez e ilusão que ainda confunde a humanidade. Amor passa longe disso tudo. Amor é um profundo, intenso e belo estado de ser. O que foge disso é simples ilusão, é martírio, confusão. Amor não pede, doa! Não busca, é! Nunca vai embora, está!

Elzinha Coelho







segunda-feira, dezembro 26, 2016

Sem Gomas


Eu sou assim, não ando num cabide nem uso verniz. O espontâneo me seduz. Idéias a mil na mente e um jeito contente de olhar a vida. Desconfio de pessoas boazinhas e certinhas demais, que riem demais, de muito bons modos à mesa. Gosto de gente que gosta de gente. Que anda descalça depois de uma valsa, que bebe espumante se não tiver um Cabernet . Gente que sabe caminhar entre o luxo e o lixo, que aprende como ser e não ser em um e noutro. A hipocrisia é uma porta trancada, por detrás pessoas fingindo verdades, cheirando a naftalina, vivendo mentiras. Quem gosta de mim, bem... quem não gosta, amém. Eu não ando num cabide nem uso verniz!

Elzinha Coelho

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Esperas


O que não me cabe transborda metros fora de mim, fora daqui, para muito além do que posso ir. O interminável tiquetaquear do relógio, transcende, transpassa tempos, num ritmo que o dono do tempo tem, só ele tem.  A sina do tempo é verbalizar o ir; sempre indo e indo, passando e passando. Transbordo um tempo que não cabe aqui, que não cabe em si, que não me cabe. 


Elzinha Coelho

terça-feira, dezembro 13, 2016

Quando fui chuva


Quando já não tinha espaço, pequena fui
Onde a vida me cabia apertada
Em um canto qualquer acomodei
Minha dança, os meu traços de chuva

E o que é estar em paz
Pra ser minha e assim ser sua
Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d'água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos e as calçadas
E assim, no teu corpo eu fui chuva
Jeito bom de se encontrar
E assim, no teu gosto eu fui chuva
Jeito bom de se deixar viver
Nada do que eu fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
E só sossega quando encontra tua boca
E mesmo que em ti me perca,
Nunca mais serei aquela
Que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela
Quando já não procurava mais
Pude enfim nos olhos teus, vestidos d'água,
Me atirar tranquila daqui
Lavar os degraus, os sonhos e as calçadas
E assim, no teu corpo eu fui chuva
Jeito bom de se encontrar
E assim, no teu gosto eu fui chuva
Jeito bom de se deixar viver.

M.G.

terça-feira, dezembro 06, 2016

Meus devaneios


Pode parecer maluquice, mas ser "perfeitamente feliz" o tempo todo é uma mentira, é muito chato, é improdutivo e chega até a anular a criatividade. Meu sentido de felicidade é outro. Sou nuances de sentimentos, não tenho como ser diferente. Me pego triste em alguns momentos, em outros calmamente lúcida, em alguns totalmente insana, em outros extremamente alegre e por aí vou, me expressando com o corpo e a alma. Egoísta as vezes, dedicada sempre, a uma pessoa ou a uma ideia, onde raramente ideia e pessoa não combinam. Já passei da fase da "perfeição", busca ingrata e que não nos leva a lugar algum. Também a fase de agradar já ficou lá atrás. Sou sentimento e não costumo esconder nenhum. Me esforço por instantes belos, porque a vida é isso, cheinha de instantes que ficam distantes um milésimo de segundos depois. E vejo pessoas correndo atrás de uma tal felicidade que nem sabem ao certo o que seja, mas continuam correndo porque imaginam que seja tão complicada, que o simples é muito simples para ser ela. Para mim felicidade é essa coisa bagunçada aqui dentro, que hora ri, hora chora. É poder sentir com a pele da alma toda a dor e todo o amor. É me aceitar como realmente sou, cheia de imperfeições, sem me culpar por isso. Nesta tal felicidade eu acredito e nela quero viver o tempo todo!!! Sou assim, assim...


Elzinha Coelho

segunda-feira, novembro 28, 2016

Poema Alado


Não posso guardar poemas. Nascem de partos extremos e dolorosos, nascem das feridas, das fendas, dos buracos ainda abertos, das valas profundas, do barro tosco ainda sem forma, nascem das entranhas, estranhas, tamanhas... Nascem! 
Não posso guardar poemas. Já chegam ao mundo livres, leves e voam pela necessidade extrema do risco de voarem. Pela bela maneira de se expressarem. Por saberem que portas se abrirão para que entrem e feito pássaros que conheceram o cativeiro, envolvem , levitam e se jogam novamente à doce aventura do voo, da liberdade, buscando outras portas e janelas, deixando sementes nas mentes sem tramelas, trancas, travas ou sentinelas. Não posso guardar poemas...

Elzinha Coelho

sábado, novembro 26, 2016

Insights




Tenho tido alguns insights , me clareando, mostrando formas, aqui bem dentro, bem no fundo, aqui onde o escuro era profundo, era e já não é muito, pressinto até que já não é tanto... e no entanto ainda há muito o que clarear, trazer levezas, resgatar purezas, dissipar (in)certezas. Conquistar meus escuros, meus abismos,  derrubar meus muros... é isso... insights derrubando muros! 


Elzinha Coelho