MEUS INCENTIVADORES- GOSTARAM E FICARAM!!

terça-feira, maio 16, 2017

SOLICITUDE (SOLITUDE)



A solidão com a qual me visto, tão leve, plena, me faz serena. Acalma a alma e qual chuva branda, me refrigera a mente. E tudo o que se sente expande em cores, solta as correntes, afrouxa as dores. A solidão tão solícita e presente, me deixa ausente das pressas e das promessas, e feito amigo inocente, que me ama simplesmente, me acompanha nestas horas, tão raras, tão efêmeras, na busca da essência enfim... do brilho com que me pintam, da luz que habita em mim. 

Elzinha Coelho

domingo, maio 14, 2017

NA CONTRAMÃO


O banal institucionalizado, e na contramão, a escolha de quem não quer ser escolhida, de quem não segue os seguidos nem os seguintes. Levar a vida e não me deixar levar por ela; o lema de quem não dança como toca a banda.  Nas paredes as aquarelas mostram os conceitos estúpidos, mas aceitos como normais pelos gerais e a anormal geme conceitos inaudíveis, intraduzíveis, ininteligíveis, não se fala a minha língua. Sou estrangeira no meu próprio mundo, sou o absurdo. Sou a fé no que não há? E se há, aonde está? Aonde foi parar aquela gente "fina, elegante e sincera", que sente e de repente não tem medo de arriscar? Em que paragens foi morar a crença de criança que já as habitou? Sonhadora eis o que és, dizem-me alguns, afinal, escreves poemas, suas lentes vêem diferente? Sou a exceção, o indefinível e inexplicável modo de ver a vida e toda a sua complexidade; sina de poeta? Trago na minha bagagem apenas um Eu liberto. Livre do que é imposto e aposto ser mais leve o meu compasso, de não andar caminhos já trilhados, marcados por outros passos. Como nestas paredes de aquarelas tudo precede a um preço,  pago e sigo na contramão a minha própria trilha, que me brilha, me brilha, brilha...

Elzinha Coelho

domingo, maio 07, 2017

(DES) CONEXÃO


Conexões desconexas
Tecnologias anoréxicas
Automático ligado
Ato sem fato
Sem fardo

Premissa inconclusa
Do si
Do mim
Do eu

Falta do afeto
Estéreis trocas
Frias, distantes
Acidulantes vitais
Toques de teclas
Telas de toque
Enfoque no play

Volúveis perfis
Ficção, fixação
Vínculos efêmeros
Alienação!

Elzinha Coelho


sexta-feira, maio 05, 2017

Tragando


Trago todas as estradas percorridas.
A poeira da pele, dos olhos a areia.
Trago a imensidão de todo o risco que corri,
de cada cisco que senti
tocar no couro,
arder na cara.
Trago o gosto do sal na língua,
do sangue da boca.
Trago a mente louca!
Ai de mim...

Trago a vida até o fim!





Elzinha Coelho

segunda-feira, maio 01, 2017

Menina mulher que olhava o céu - Luzia Madalena Granato



Este lindo poema:"Menina-Mulher que olhava o céu", da Poetiza Luzia Madalena Granato, da cidade de Ribeirão Preto, se realizou com melodia de William Paganini, professor e musico maravilhoso.

sábado, abril 29, 2017

PRECE


Do sonho ela fez poesia
Como numa prece sussurrando ao silêncio
Pedindo aos anjos e santos
Proteção ao que no peito lhe ardia

E era tão grande essa dor
Que temendo então sucumbir
Apertou-a com as mãos cerradas
Tentando em vão por-lhe fim

Mas sabia ser impotente
Diante de dor lacerante
Queimava-lhe fundo na alma
A inexorável partida do amante

Ele,  por dias e dias sem fim
Habitou seu ser mais profundo
Fazendo-a protegida e segura
Do mau que havia no mundo

Agora, mãos jazem inertes
Corpo treme, cabeça rodopia
Do sonho sonhado, nada resta
Nem cantos, encontros, nem fantasias
Só a prece, os santos e a poesia...

Elzinha Coelho






domingo, abril 23, 2017

Desejos


Querer que alguém se importe
Com a tua vida ou com tua morte
Com teus desvarios, com tua sorte
É querer achar o rumo
Sentir onde está, avistar o norte

Calçar os pés com um pouco de afeto
Se agasalhar num abraço contente
Sentir-se bem, crer que se é gente
Ter um chão coberto de estrelas
E um céu que seja teu teto

Querer que alguém se importe
É saber-se dono de nada
E mesmo assim ser propriedade
Sem amarras para te apertar
Voar aos sabores dos ventos
E sempre ter para quem voltar


Elzinha Coelho

terça-feira, abril 04, 2017

Urgências


Quero no teu cheiro deslizar. Do teu corpo decolar, daqui para um outro lugar, talvez a um altar nas nuvens, ou apenas um degrau do chão. Nossos corpos alados, dançam a canção dos ventos, levando-nos leves  pela amplidão dos sentidos, desmedidos e desculpados pela própria razão do querer. Sentir teu colo acolhendo meu corpo, tua boca sorvendo meus beijos e tuas mãos, ah essas mãos! Traquinas, travessas, mapeando todo o meu ser extasiado, ardente, febril nos toques, nos cheiros da pele, do pelo, e nestas nossas urgências saborosas e pungentes, façamos juntos a viagem dos amantes, eternizando-nos na sublime e suprema arte de amar, sem delongas, sem medidas, nem demoras ou despedidas...

Elzinha Coelho

Indo...




Estou saindo fora de tudo o que me incomoda. Pessoas frias, vazias, dissimuladas, mal educadas. Pessoas forçadas nas atitudes, que fingem ser doces quando na verdade, são rudes. Pessoas essas que já estão fora de moda, fora da roda, estão sem espaço. Cada vez mais sós... entre os nós que elas próprias laçam!


Elzinha Coelho

sábado, abril 01, 2017

Metamorfose

Do pintor peruano Hugo Espíritu residente em São Paulo - Brasil.

E qual seria o meu papel nesta história toda? A vida chega recheada de expectativas e aí você lê numa fonte confiável, afinal, é nela que achas as respostas mais sensatas pro que precisa,"não as crie", mas só se me abdicasse de todo e qualquer sentimento; expectativa é a esperança de um tempo que ainda não existe. E alguém pode me dizer como se pode viver sem esperanças? E então a sensatez deixa de fazer sentido já que a minha pergunta agora é outra;chego na tal encruzilhada, aquela mesma que vivemos contornando o caminho para não nos dar de frente com ela. Se protela o instante, feito criança que teima em não cumprir regras, nem normas, justamente fugindo das tais escolhas. É clichê ouvir "não crie expectativas"... como se fosse fácil não ter esperança. Já nascemos com a esperança de sermos cuidados, acolhidos, alimentados, amados, assim sendo, nascemos criando expectativas, que certamente irá em algum momento ser frustante. Chego as vezes a pensar que a brincadeira da vida é essa, crias-se e frusta-se, e tenho cá minhas desconfianças, de que esperar e dar com os burros n'água  é viver essa tal vida, justamente assim, pra que não se perca o movimento. Então a vida não é estagnada, sempre haverá o tal movimento criado pelas esperanças não alcançadas. E mesmo o bruto as tem. O artista com toda sua delicadeza e sensibilidade, não se abstêm dela; e eu me imagino neste quarto tal qual a uma mosca na teia da aranha de Kafka, que além de ver seus ideais irem pro ralo, ainda tem que ver no olhar do seu algoz , a frustração indo pro mesmo buraco. E é neste quarto, o da aranha, que tento me adaptar à minha nova condição, agora sem a esperança, cuja expectativas foram todas dissipadas. Neste lugar não haverá vida, já que não há o que a move... a esperança hipócrita e todas as suas artimanhas...
"Às vezes o mundo parece uma gigantesca teia de aranha, onde, como moscas atordoadas, os nossos sonhos ficam aprisionados, à espera de serem desfeitos e macerados pela temível aranha. "


Elzinha Coelho

domingo, março 05, 2017

Mar de Mim


Alma livre de poeta
Que em si sempre encerra
Os desejos em pé de guerra
nos vendavais que habitam em mim

Alma livre de quem sonha

Nas noites e noites de amarguras
Fitando a luz leve da lua
Retendo-a docemente na retina

Hora chora, Hora ri

E nesta dança do ir e vir
Em emoções caudalosas
Sinto os pés por sobre as ondas
Que as espumas feito brumas
Levitam levando-me dali

Doce e terna aparência

Calmaria que disfarça
em mim toda a luta
em ebulição na própria farsa

Do que sei, nada quero

Do que quero, não saberei
Sou no mundo um mistério
E o mistério em mim é Rei


Elzinha Coelho


sábado, janeiro 28, 2017

Solicitude


A solidão com a qual me visto, tão leve, plena, me faz serena. Acalma a alma e qual chuva branda, me refrigera a mente. E tudo o que se sente expande em cores, solta as correntes, afrouxa as dores. A solidão tão solícita e presente, me deixa ausente das pressas e das promessas, e feito amigo inocente, que me ama simplesmente, me acompanha nestas horas, tão raras, tão efêmeras, na busca da essência enfim... do brilho com que me pintam, da luz que habita em mim.


Elzinha Coelho

quinta-feira, janeiro 26, 2017

SUBENTENDIDO


Sigo pelas asas do poema
Que me embala, doce e livremente
Por tantos cantos, belos becos, lindos temas
Pelas trilhas maltrapilhas ou reluzentes

Versando as horas, o tempo, os dilemas
De quem sem culpa, se atreve discernir 
Oque de dentro te transborda pelos poros
E inutilmente, se tenta impedir

Qual tal demônio é este poeta
Que com seu ferro certeiro sempre afeta
Trazendo à lembrança, o guardado e o esquecido
A tal  ferida, mal curada ainda aberta

O que seria do que é se não fosse o que se fez?
Em qual momento da partida caberia o não?
Quanto se perde quando a medida não te cabe?
Por qual razão há tantas portas?
E o que fazer quando nada disso importa?

Se há no mundo algo de poder capaz
De despertar em ti  o avesso do espelho
São os versos duros de um poema
Que nas entrelinhas, sempre esconde um conselho!


Elzinha Coelho