MEUS INCENTIVADORES- GOSTARAM E FICARAM!!

sábado, abril 29, 2017

PRECE


Do sonho ela fez poesia
Como numa prece sussurrando ao silêncio
Pedindo aos anjos e santos
Proteção ao que no peito lhe ardia

E era tão grande essa dor
Que temendo então sucumbir
Apertou-a com as mãos cerradas
Tentando em vão por-lhe fim

Mas sabia ser impotente
Diante de dor lacerante
Queimava-lhe fundo na alma
A inexorável partida do amante

Ele,  por dias e dias sem fim
Habitou seu ser mais profundo
Fazendo-a protegida e segura
Do mau que havia no mundo

Agora, mãos jazem inertes
Corpo treme, cabeça rodopia
Do sonho sonhado, nada resta
Nem cantos, encontros, nem fantasias
Só a prece, os santos e a poesia...

Elzinha Coelho






domingo, abril 23, 2017

Desejos


Querer que alguém se importe
Com a tua vida ou com tua morte
Com teus desvarios, com tua sorte
É querer achar o rumo
Sentir onde está, avistar o norte

Calçar os pés com um pouco de afeto
Se agasalhar num abraço contente
Sentir-se bem, crer que se é gente
Ter um chão coberto de estrelas
E um céu que seja teu teto

Querer que alguém se importe
É saber-se dono de nada
E mesmo assim ser propriedade
Sem amarras para te apertar
Voar aos sabores dos ventos
E sempre ter para quem voltar


Elzinha Coelho

terça-feira, abril 04, 2017

Urgências


Quero no teu cheiro deslizar. Do teu corpo decolar, daqui para um outro lugar, talvez a um altar nas nuvens, ou apenas um degrau do chão. Nossos corpos alados, dançam a canção dos ventos, levando-nos leves  pela amplidão dos sentidos, desmedidos e desculpados pela própria razão do querer. Sentir teu colo acolhendo meu corpo, tua boca sorvendo meus beijos e tuas mãos, ah essas mãos! Traquinas, travessas, mapeando todo o meu ser extasiado, ardente, febril nos toques, nos cheiros da pele, do pelo, e nestas nossas urgências saborosas e pungentes, façamos juntos a viagem dos amantes, eternizando-nos na sublime e suprema arte de amar, sem delongas, sem medidas, nem demoras ou despedidas...

Elzinha Coelho

Indo...




Estou saindo fora de tudo o que me incomoda. Pessoas frias, vazias, dissimuladas, mal educadas. Pessoas forçadas nas atitudes, que fingem ser doces quando na verdade, são rudes. Pessoas essas que já estão fora de moda, fora da roda, estão sem espaço. Cada vez mais sós... entre os nós que elas próprias laçam!


Elzinha Coelho

sábado, abril 01, 2017

Metamorfose

Do pintor peruano Hugo Espíritu residente em São Paulo - Brasil.

E qual seria o meu papel nesta história toda? A vida chega recheada de expectativas e aí você lê numa fonte confiável, afinal, é nela que achas as respostas mais sensatas pro que precisa,"não as crie", mas só se me abdicasse de todo e qualquer sentimento; expectativa é a esperança de um tempo que ainda não existe. E alguém pode me dizer como se pode viver sem esperanças? E então a sensatez deixa de fazer sentido já que a minha pergunta agora é outra;chego na tal encruzilhada, aquela mesma que vivemos contornando o caminho para não nos dar de frente com ela. Se protela o instante, feito criança que teima em não cumprir regras, nem normas, justamente fugindo das tais escolhas. É clichê ouvir "não crie expectativas"... como se fosse fácil não ter esperança. Já nascemos com a esperança de sermos cuidados, acolhidos, alimentados, amados, assim sendo, nascemos criando expectativas, que certamente irá em algum momento ser frustante. Chego as vezes a pensar que a brincadeira da vida é essa, crias-se e frusta-se, e tenho cá minhas desconfianças, de que esperar e dar com os burros n'água  é viver essa tal vida, justamente assim, pra que não se perca o movimento. Então a vida não é estagnada, sempre haverá o tal movimento criado pelas esperanças não alcançadas. E mesmo o bruto as tem. O artista com toda sua delicadeza e sensibilidade, não se abstêm dela; e eu me imagino neste quarto tal qual a uma mosca na teia da aranha de Kafka, que além de ver seus ideais irem pro ralo, ainda tem que ver no olhar do seu algoz , a frustração indo pro mesmo buraco. E é neste quarto, o da aranha, que tento me adaptar à minha nova condição, agora sem a esperança, cuja expectativas foram todas dissipadas. Neste lugar não haverá vida, já que não há o que a move... a esperança hipócrita e todas as suas artimanhas...
"Às vezes o mundo parece uma gigantesca teia de aranha, onde, como moscas atordoadas, os nossos sonhos ficam aprisionados, à espera de serem desfeitos e macerados pela temível aranha. "


Elzinha Coelho