Apelo



Nada está perdido
Nada foi em vão
Não se perca na história
A ilusão é efemera

Deixe-me não ir ainda

O propósito que não se finda ainda perdura
Mesmo que não mais creia
Mesmo que não mais queira

Ainda há chance para acreditar

Ainda é tempo de agregar
os sentidos todos que se espalharam
Por tanta demanda à espreitar

Basta um gesto doce

O de lembrar o gosto que trouxe
A minha boca na tua pele
A tua pele no meu peito

Deixe-me não ir ainda

A porta está aberta na sala
Teus olhos me imploram
Mas tua boca se cala

Perder-te de mim não é o que quer

Ainda sente o ardente toque no rosto
Que com gosto toquei sem hesitar
Deixe-me não ir ainda

Feche a porta

Deixe-me ficar!

Elzinha Coelho