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terça-feira, junho 20, 2017

Mais amor de verdade, por favor!


As pessoas andam por aí em busca de pessoas. A insatisfação está me parecendo crônica. O superficial, o raso, o morno, o quase nada, tem sido o que basta aos montes. Quantidade tem sido a opção em detrimento da qualidade. Tudo muito rápido. O bom, o simples, o que se tem, o que  traz paz, prazer e leveza ao coração não sacia. Sempre se imagina que ainda exista algo melhor e que merecem esse melhor. Nesta busca acabam por não experimentar o bom que se tem. Acabam por não construir relacionamentos sólidos, verdadeiros, leais, perdendo o essencial, simplesmente por não acharem tempo de "ver" o que possuem.  É muito triste o panorama. Vejo corações inquietos, desleais e de tamanha pequenez que me assusta. Banalizam o "Eu te amo" de uma maneira tão irresponsável que são capazes de dizer isso a mais de uma pessoa num curto espaço de tempo. Querem se sentir amados apenas, doar-se nem pensar, não querem arcar com o preço. Amor exige renúncia, dedicação, verdade e reciprocidade, dá uma trabalheira danada! Nesta busca ansiosa por ser ter "um amor" e receber na mesma fração, qualquer ser é belo, qualquer belo é bom, até que qualquer coisa "melhor" apareça. E o mundo se enche de pessoas frustradas, solitárias e tristes porque não tiveram a coragem de construir algo bom com verdades, iludidos e egoisticamente distraídos que estavam em querer sempre mais.


Elzinha Coelho (2014)

NOTA:
A teoria sartreana da consciência nos conduz à sua teoria da liberdade. Pela liberdade o indivíduo escolhe aquilo que quer ser e, assim, realiza sua essência. Sartre diz que tentamos nos transformar exatamente naquilo como aparecemos para o outro. O outro, assim, oferece perigo. A única defesa é inverter a situação: na preservação da minha liberdade, torno-o ser-em-si. É como se a liberdade de um inibisse a do outro. Essa é a essência das relações humanas: o conflito.

Sartre não foi apenas um psicólogo dedicado a temas acadêmicos da área, um filósofo que escreveu ensaios importantes sobre o questionamento da existência, mas um cidadão engajado e permanentemente comprometido com a transformação de si, de suas idéias e do mundo em que viveu.