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PRECE

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Do sonho ela fez poesia Como numa prece sussurrando ao silêncio Pedindo aos anjos e santos Proteção ao que no peito lhe ardia E era tão grande essa dor Que temendo então sucumbir Apertou-a com as mãos cerradas Tentando em vão por-lhe fim Mas sabia ser impotente Diante de dor lacerante Queimava-lhe fundo na alma A inexorável partida do amante Ele,  por dias  sem fim Habitou seu ser mais profundo Fazendo-a protegida e segura Do mau que havia no mundo Agora, mãos jazem inertes Corpo treme, cabeça rodopia Do sonho sonhado, nada resta Nem cantos, encontros, nem fantasias Só a prece, os santos e a poesia... Elzinha Coelho

Desejos

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Querer que alguém se importe Com a tua vida ou com tua morte Com teus desvarios, com tua sorte É querer achar o rumo Sentir onde está, avistar o norte Calçar os pés com um pouco de afeto Se agasalhar num abraço contente Sentir-se bem, crer que se é gente Ter um chão coberto de estrelas E um céu que seja teu teto Querer que alguém se importe É saber-se dono de nada E mesmo assim ser propriedade Sem amarras para te apertar Voar aos sabores dos ventos E sempre ter para quem voltar Elzinha Coelho

Urgências

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Quero no teu cheiro deslizar. Do teu corpo decolar, daqui para um outro lugar, talvez a um altar nas nuvens, ou apenas um degrau do chão. Nossos corpos alados, dançam a canção dos ventos, levando-nos leves  pela amplidão dos sentidos, desmedidos e desculpados pela própria razão do querer. Sentir teu colo acolhendo meu corpo, tua boca sorvendo meus beijos e tuas mãos, ah essas mãos! Traquinas, travessas, mapeando todo o meu ser extasiado, ardente, febril nos toques, nos cheiros da pele, do pelo, e nestas nossas urgências saborosas e pungentes, façamos juntos a viagem dos amantes, eternizando-nos na sublime e suprema arte de amar, sem delongas,  sem medidas,  nem demoras ou despedidas... Elzinha Coelho

Indo...

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Estou saindo fora de tudo o que me incomoda. Pessoas frias, vazias, dissimuladas, mal educadas. Pessoas forçadas nas atitudes, que fingem ser doces quando na verdade, são rudes. Pessoas essas que já estão fora de moda, fora da roda, estão sem espaço. Cada vez mais sós... entre os nós que elas próprias laçam! Elzinha Coelho

Metamorfose

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Do pintor peruano Hugo Espíritu residente em São Paulo - Brasil. E qual seria o meu papel nesta história toda? A vida chega recheada de expectativas e aí você lê numa fonte confiável, afinal, é nela que achas as respostas mais sensatas pro que precisa,"não as crie", mas só se me abdicasse de todo e qualquer sentimento; expectativa é a esperança de um tempo que ainda não existe. E alguém pode me dizer como se pode viver sem esperanças? E então a sensatez deixa de fazer sentido já que a minha pergunta agora é outra;chego na tal encruzilhada, aquela mesma que vivemos contornando o caminho para não nos dar de frente com ela. Se protela o instante, feito criança que teima em não cumprir regras, nem normas, justamente fugindo das tais escolhas. É clichê ouvir "não crie expectativas"... como se fosse fácil não ter esperança. Já nascemos com a esperança de sermos cuidados, acolhidos, alimentados, amados, assim sendo, nascemos criando expectativas, que certamente i...

"Motivo" - poema de Cecília Meireles, musicado por Fagner

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Mar de Mim

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Alma livre de poeta Que em si sempre encerra Os desejos em pé de guerra nos vendavais que habitam em mim Alma livre de quem sonha Nas noites e noites de amarguras Fitando a luz leve da lua Retendo-a docemente na retina Hora chora, Hora ri E nesta dança do ir e vir Em emoções caudalosas Sinto os pés por sobre as ondas Que as espumas feito brumas Levitam levando-me dali Doce e terna aparência Calmaria que disfarça em mim toda a luta em ebulição na própria farsa Do que sei, nada quero Do que quero, não saberei Sou no mundo um mistério E o mistério em mim é Rei Elzinha Coelho