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SUTILEZAS

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Certeza tenho apenas das incertezas que a vida tem. O certo ou errado, o inteiro ou costurado, o perdido ou encontrado é questão de opinião, ponto de vista ou ilusão. Não sei bem onde me encaixo... se no "sim" ou se no "acho"... Elzinha Coelho

A Vida e o Caminho

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Há luz no caminho Mas há quem prefira a escuridão Há aconchego no ninho E quem o abandona buscando a ilusão Pobres e nefastas vítimas de si Não anteveem o desastre eminente Que sem disfarce se torna evidente O que por hora parece distante Num próximo instante o aproxima do fim E o sim tantas vezes negado À vida que doou tantos lances É agora pedido, implorado Por quem não temeu ver perdida As tantas chances que a vida lhe deu Cegos em si, eis o que são Maltrapilhos, maltratados Andarilhos, renegados Que a Vida então deserda E lhes nega todo o cuidado! Elzinha Coelho

Poesia é poesia

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Palavras soltas vejo em versos de prosopopeias psicodélicas, onde a palavra melhor escolhe o métrico método de ser mostrada. Amontoadas, as sílabas mansas travestidas  de inócuos brilhos retratam no melhor estilo, a bagagem de quem lhe dá os trilhos. Ah falsos poetas! Oque não arranha tuas entranhas não é poesia. Não é poesia o que não amarga a tua saliva ou adoça a tua lágrima. O que não te sai de dentro em volúpias e arrepios, o que não te tira o sono e o sossego, o que não expõe os teus medos, tuas verdades, teus encantos, vindos dos confins de ti. Não é poesia o que não te vem de dentro em convulsivas ondas desavisadas, estampidos, estampadas. Fazes um mecânico gesto... que de poesia não tem nada! Elzinha Coelho

Toda Mulher Precisa de Carinho

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Aforismos de uma Insana Sensatez

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Não era dada a recordações. Passava com a sutileza de um trator por cima do que, de alguma forma, lhe provocasse algum desconforto. Ela era uma caixa cheia de gavetas. Algumas trancadas sem nunca terem recebido uma visita sequer. Gavetas empilhadas, cheias de memórias e histórias que não podiam ser tocadas. Talvez por algum breve instante pressentisse a presença delas. Mas isso era tudo o que conseguia a respeito. Pressentir vez ou outra a existência delas. E caminhava a passos largos, espinha ereta e aos olhos alheios, quase que intocável pelas mazelas que a vida sempre fez questão de lhe presentear. Tudo a sua volta ruía e ainda assim, a espinha não se dobrava. Sabia sorrir como ninguém. E nos sorrisos deixava transparecer um insólito desejo. Uma vontade louca e inquietante de ir além do óbvio, do suposto, do já estabelecido. E até por isso, quem sabe, as tais gavetas permaneciam fechadas. Memórias são obvias demais, emperram os passos, apertam os laços. E se algo havia o qual l...

Indo

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Já lá está o caminho a percorrer. Sinto-o antes mesmo que eu o toque. E sempre foi assim. O caminho dentro de mim. Eu e o caminho. Caminho que me caminha, me percorre, me permite, me escorre. Caminho que me encaminha, me liberta, me socorre. Que me leva leve, lento. Por entre as nuvens em meio aos ventos. Caminho santo. Caminho bento. Que o é antes mesmo de ter sido. Como a finitude efêmera dos confins do mundo. Caminho fundo, belo, fecundo. E eu caminho... Elzinha Coelho

Não existe botox para o vazio existencial

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Não somos nada nem ninguém sem consumir. Você já parou para pensar nisso? Vivemos numa sociedade de consumo, disso todos nós sabemos. Acontece que a nossa ânsia por obtenção palpável se estendeu até os desejos mais íntimos. Não adquirimos por ímpeto apenas roupas, sapatos, objetos. Nós consumimos sentimento, gente, sexo, prazeres, tempo. Tudo. Parece que sem consumo não existe vida. Nem bem-estar. Nem alegria. Nem amor. Nem nada. As pessoas estão cada vez mais insatisfeitas com elas mesmas e com o mundo. Querem preencher a qualquer custo os seus buracos. Consomem tudo e todos ao mesmo tempo, na ânsia desesperada de abarrotar os espaços vazios que levam por dentro. Começam se enchendo de coisas, mas logo o tangível passa a não bastar. Então, encontram nos outros a possibilidade da sensação de plenitude, de prazer e satisfação. É uma perseguição efêmera atrás da saciedade. Aí vem a primordialidade de ter e sentir, a carestia da posse, que comanda os sentidos e determina as açõe...