Reina em mim um desassossego Desses que me faz tremer, que me dá medo. Que tira a fome, que tira o sono. Que me faz sentir a amargura de um extremo e completo abandono. Como que por sucção me remeto para dentro do meu ser. Só existe eu comigo agora. O silêncio é frio, ensurdecedoramente frio. E olho partes de mim Que não quero conhecer. Partes de mim Que nunca quis ver. Mas como que hipnotizada, meu olhos não se desviam Fixos, inertes, contemplam o desalinho. E me revela, me desnuda. A dor impera, dilacera, rasga. Esta sou eu, toda desalinhada? Com tantos azedumes e fraquezas, raivas e mágoas represadas? Esta é você! me ouço dizendo. E então entendo o que está acontecendo. E inicio o caminho de volta. Percebo que amadureci, que cresci. O lado bonito é muito fácil, é prazeroso. Mas conhecer somente ele, é inevitavelmente desastroso. Este caminho...