MEUS INCENTIVADORES- GOSTARAM E FICARAM!!

sábado, janeiro 28, 2017

Solicitude


A solidão com a qual me visto, tão leve, plena, me faz serena. Acalma a alma e qual chuva branda, me refrigera a mente. E tudo o que se sente expande em cores, solta as correntes, afrouxa as dores. A solidão tão solícita e presente, me deixa ausente das pressas e das promessas, e feito amigo inocente, que me ama simplesmente, me acompanha nestas horas, tão raras, tão efêmeras, na busca da essência enfim... do brilho com que me pintam, da luz que habita em mim.


Elzinha Coelho

quinta-feira, janeiro 26, 2017

SUBENTENDIDO


Sigo pelas asas do poema
Que me embala, doce e livremente
Por tantos cantos, belos becos, lindos temas
Pelas trilhas maltrapilhas ou reluzentes

Versando as horas, o tempo, os dilemas
De quem sem culpa, se atreve discernir 
Oque de dentro te transborda pelos poros
E inutilmente, se tenta impedir

Qual tal demônio é este poeta
Que com seu ferro certeiro sempre afeta
Trazendo à lembrança, o guardado e o esquecido
A tal  ferida, mal curada ainda aberta

O que seria do que é se não fosse o que se fez?
Em qual momento da partida caberia o não?
Quanto se perde quando a medida não te cabe?
Por qual razão há tantas portas?
E o que fazer quando nada disso importa?

Se há no mundo algo de poder capaz
De despertar em ti  o avesso do espelho
São os versos duros de um poema
Que nas entrelinhas, sempre esconde um conselho!


Elzinha Coelho



segunda-feira, janeiro 23, 2017

Na Contramão


O banal institucionalizado, e na contramão, a escolha de quem não quer ser escolhida, de quem não segue os seguidos nem os seguintes. Levar a vida e não me deixar levar por ela; o lema de quem não dança como toca a banda.  Nas paredes as aquarelas mostram os conceitos estúpidos, mas aceitos como normais pelos gerais e a anormal geme conceitos inaudíveis, intraduzíveis, ininteligíveis, não se fala a minha língua. Sou estrangeira no meu próprio mundo, sou o absurdo. Sou a fé no que não há? E se há, aonde está? Aonde foi parar aquela gente "fina, elegante e sincera", que sente e de repente não tem medo de arriscar? Em que paragens foi morar a crença de criança que já as habitou? Sonhadora eis o que és, dizem-me alguns, afinal, escreves poemas, suas lentes vêem diferente? Sou a exceção, o indefinível e inexplicável modo de ver a vida e toda a sua complexidade; sina de poeta? Trago na minha bagagem apenas um Eu liberto. Livre do que é imposto e aposto ser mais leve o meu compasso, de não andar caminhos já trilhados, marcados por outros passos. Como nestas paredes de aquarelas tudo precede a um preço,  pago e sigo na contramão a minha própria trilha, que me brilha, me brilha, brilha...

Elzinha Coelho

sexta-feira, janeiro 06, 2017

Apelo



Nada está perdido
Nada foi em vão
Não se perca na história
A ilusão é efemera

Deixe-me não ir ainda
O propósito que não se finda ainda perdura
Mesmo que não mais creia
Mesmo que não mais queira

Ainda há chance para acreditar
Ainda é tempo de agregar
os sentidos todos que se espalharam
Por tanta demanda à espreitar

Basta um gesto doce
O de lembrar o gosto que trouxe
A minha boca na tua pele
A tua pele no meu peito

Deixe-me não ir ainda
A porta está aberta na sala
Teus olhos me imploram
Mas tua boca se cala

Perder-te de mim não é o que quer
Ainda sente o ardente toque no rosto
Que com gosto toquei sem hesitar
Deixe-me não ir ainda

Feche a porta
Deixe-me ficar!

Elzinha Coelho






AMOR


O amor nasce nos corações dispostos, nas almas elevadas, despojadas e disponíveis. Cada um a seu tempo, cada qual no seu próprio passo, chegará como esta planta chegou, à luz. Descobrirá que amor não machuca, não desfaz, não esquece. Amor é grato, é por si só o todo, o tudo, o início e o fim. Amor é calmaria, aconchego, segurança, sintonia. Amor é certeza inviolável. Mansos os que amam.  Mas em nome do amor já vieram guerras santas; há guerras santas cotidianas por todo canto, a todo tempo. Codimistas insanos, profanos. Insensatez e ilusão que ainda confunde a humanidade. Amor passa longe disso tudo. Amor é um profundo, intenso e belo estado de ser. O que foge disso é simples ilusão, é martírio, confusão. Amor não pede, doa! Não busca, é! Nunca vai embora, está!

Elzinha Coelho