MEUS INCENTIVADORES- GOSTARAM E FICARAM!!

sábado, agosto 30, 2014

Saudade de mim...



Saudade daquela menina magrela de pernas finas e ágeis que subia em árvores e pulava do telhado num monte de areia. Saudade do monte de areia, onde alheia, imaginava castelos, cavalos e reis. Sinto falta daquela cabecinha de vento que em pensamento, viajava léguas longe dali. Sinto falta da falta de tudo, da falta do mundo que eu construí. Saudade de um mundo que perdi por aí...

Elzinha Coelho

quarta-feira, agosto 27, 2014

Busca Insana



Sou como um náufrago em busca de qualquer coisa que me possa manter viva, que me faça sentir que ainda há chance de me manter viva. Essa necessidade visceral de verbalizar o contido, o restrito, o escondido, o que aparentemente não tem forma, não tem cor, nem cheiro; aquilo tudo guardado, tão bem guardado para que não se tenha jeito de saber da sua existência. Aquilo tudo não me cabe, me excede, me transborda, escorre metros fora de mim. Sou uma viajante em meio a ruas cálidas, às voltas com silêncios fundos e ruídos loucos. Sei bem pouco, sei quase nada dentro desta confusão absurda que não paralisa,  e que se espalha por vãos desavisados, horas impróprias, por canais informais, anormais, quase insanos. Sou pequena, sou poeta, tão incerta e inquieta, verbalizando. Ainda me buscando por ruas cálidas em meio a silêncios fundos e ruídos loucos.

Elzinha Coelho 

sábado, agosto 16, 2014

Sábado é Sagrado


Eu não quero morrer num sábado, sábado não! Ninguém merece sair daqui num sábado. Qualquer outro dia, prá tirar da monotonia os pensares, os pesares e a poeira de qualquer outros ares. Sábado é dia de namorar, de casar, de dançar, se cansar. É dia de sol, de sol de dentro, de sol de fora. É dia de vinda, sempre bem vinda, não é dia certo prá ninguém se ir, nem eu, pobre mortal que sou, quero ir num Sábado. O Sábado é sagrado, dia de namorado, dia que já nasce inspirado, preguiçoso e safado querendo nos conquistar com suas contínuas investidas,  a nos convencer com luzinhas coloridas, a nos despertar as razoes dos"por que não?"
E por que não? Bem o dia de ficar mais bonita e o coração apressado bater mais descompassado, bem neste dia! Mesmo bonita, alguém me amarre e convença aos anjos meus amigos, sim, porque os anjos são meus amigos, a me manterem amarrada. Eu não vou nem a pau Juvenal. Juvenal é aquele meu anjo mais íntimo, aquele que quebra mais galhos meus que os fios de cabelos que cobrem minha cabeça. Os galhos que Juvenal já me quebrou dava para reflorestar grande parte da Floresta Amazônica. Enquanto verificam esta possibilidade, deixem-me curtindo o meu sábado. Digam ao Juvenal que ele nem precisa voltar com pressa, talvez se apresse em resolver outras pendengas por lá, quem sabe por lá se perca, por lá se encontre ou encontre muitas outras pendengas. Tantas pendengas, que voltará muitas e muitas luas depois e eu terei muitos e muitos mais sábados a dois...
Ninguém merece deixar as luzes do Sábado para trás... ninguém merece... e nem Eu!

Elzinha Coelho

sexta-feira, agosto 15, 2014

Abalo Seco


Bem pouco sei do que me falta 
nem mesmo sinto o que me excede. 
Sei que me calo por entre os dentes, 
e o que não falo me causa febre.
Sei que não sou fácil nem santa, 
nem tenho o encanto que tanto prego,
entre minhas mãos guardei veneno, 
e prá muitas dores me fiz de cega.
Vejo ilusões cobrindo corpos 
de vaidades distorcidas, 
que enganam, mentem e matam 
sem pudores a própria vida!
Bem pouco sei do que me falta...



Elzinha Coelho

quinta-feira, agosto 07, 2014

Desejo






Que tudo que te venha,
mesmo que pequeno....
que seja inteiro,
autêntico, verdadeiro!
Que te baste um olhar pra te alegrar
Um abraço prá te lembrar
Que a vida é feita de pedaços
Que se moldam, que se encaixam...
Formando elos... fazendo laços.



Elzinha Coelho

domingo, agosto 03, 2014

Levar leve a vida


Soberano e frio o tempo intenta 
Inverter a lógica do que está por vir
De insólita monja a vida se veste
E investe a fundo de todo sentir

Tocar a tensa vida em si
No mais intimo sentido seu
Fazer do tensionado, largo e grande
A leveza que impele o que não morreu

Sentir em gotas o tino de toda coisa 
Cada parte que aparte de qualquer loisa
Se embrenhar no sentido de toda força
Que excede, que expande, se faz, se afrouxa

Permitir -se ir sem hora e medo
Ao fundo do mundo de cada ser
Deixar-se ver sem nenhum enredo
O que já está escrito ou por escrever


Elzinha Coelho